quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Inferno astral.

Paro e penso. Comemoramos todos os anos a data de nosso nascimento. Comemoramos mais um dia de vida. E o mais irônico: A vida pode estar uma porcaria, você pode estar pensando em se matar. Podemos estar todos em guerra, em luta. Na tal data, tudo para. Falsos sorrisos são estampados nos rostos, em frente as câmeras. Os maiores inimigos se tornam melhores amigos, em uma festa de aniversário. A verdade é que isso é só mais uma desculpa ridícula para encher a cara. C'mon... Não precisamos disso. Enchemos a cara sempre, anyway. Acho que comemoramos esse dia não só pelos motivos mais óbvios. As pessoas devem ter cansado de viver o inferno astral, apenas com péssimos dias de crise de identidade. E é isso que o inferno astral é. Uma fase próxima a data de nascimento, onde tudo fica fodido, sempre. É como uma TPM prolongada, que afeta homens e mulheres, crianças, adultos e idosos. Resumindo, a fase mais fodida do seu ano com certeza. Se for pensar, é até bom arrumarmos uma desculpa pra ficar feliz nesse meio tempo. E isso também explica o porquê dessa data ser tão difícil, sempre. Falo por mim. Nada sai como o planejado e, mesmo se sair, não é divertido. Faz uns três anos que essa data é sinonimo de estresse, na minha vida. E tudo o que eu queria fazer nesse 4 de Fevereiro era fechar os olhos e acordar em um país distante, onde eu não entendesse uma palavra do que ninguém falasse. Com dinheiro pra encher a cara, é claro. Eu queria fazer o oposto. Passar essa data longe de tudo e todos que conheço. Isolada, curtindo apenas o cheiro de cigarro e o gosto da bebida. Me curtindo, sozinha, sem nada pra fazer. Mas parece que ninguém entende. Nunca.

Thai Moretzsohn.

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